Após mais de quarenta anos de exercício do poder ditatorial, Salazar acabou por morrer acreditando que continuava a governar o país, ignorando que Marcelo Caetano lhe sucedera como presidente do conselho de ministros pouco tempo após a sua queda de uma cadeira de lona.
A morte física do ditador já quase nada de essencial representou para o regime, aparecendo apenas como sua referência imagética passada, E o próprio desfile dos dignitários do regime e das suas cortes apareceu como irrelevante, ainda que colocado em destaque na imprensa escrita, na rádio e na televisão, amplamente controladas pelo governo. Em boa verdade, também Caetano se terá sentido aliviado com o desaparecimento daquele "esqueleto no armário".
(Na imagem, a governanta Maria de Jesus Caetano Freire à cabeceira da cama onde está o falecido)