José António Ribeiro Santos

50 anos depois

Data
O fim do regime começa com o Ribeiro Santos.
Não foi a gota de água, foi uma gota de sangue.

João Isidro, jornalista, 1997

No dia 12 de outubro de 1972, num anfiteatro pré-fabricado do ISCEF (atual ISEG) para onde estava convocado um meeting contra a repressão, agentes da PIDE/DGS assassinaram o jovem estudante José António Ribeiro Santos.
Passados 50 anos, queremos assinalar o seu heroísmo, que despertou a juventude estudantil e foi uma lição que de imediato alastrou aos mais diferentes setores da sociedade portuguesa e que não podemos esquecer.
Ribeiro Santos era um estudante de vanguarda, militante ativo da recém-criada FEML (Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas), organização do MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado), que se destacara pela participação empenhada nas lutas estudantis e políticas, em particular contra a guerra colonial, que marcaram a fase final do regime fascista.

EXPOSIÇÃO

Mostra documental na Torre do Tombo

Cartaz da Mostra Documental no Arquivo Nacional da Torre do Tombo Nos 50 anos do assassinato de José António Ribeiro Santos, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo vai realizar uma mostra de documentos referentes a José António Ribeiro Santos, que estará patente de 7 de outubro de 2022 a 10 de janeiro de 2023.

Fotografias inéditas do funeral

A polícia de choque cerca a carrinha que transportou a urna funerária de José António Ribeiro Santos. Estas fotografias, da autoria de Zacarias Duarte Ferreira, desconhecidas até hoje, foram doadas ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo para que figurassem na exposição «Nos 50 anos do assassinato de José António Ribeiro Santos», que estará patente no Edifício do Arquivo Nacional da Torre do Tombo de 7 de Outubro de 2022 a 10 de janeiro 2023.

TEATRO

Naquele dia não passou na televisão

"Naquele dia não passou na televisão", Teatro do Vestido, Museu do Aljube O Teatro do Vestido apresenta no Museu do Aljube, nos dias 19 e 21 de outubro, a sua criação "Naquele dia não passou na televisão", evocando o assassinato de Ribeiro Santos e as suas repercussões. O projecto estará também em cena na Quinta do Alegre (Freguesia de Santa Clara - Lisboa) entre os dia 26 e 29 de Outubro.

DOCUMENTÁRIO

O dia em que perdemos o medo

Cartaz do documentário "12 de Outubro de 1972 - O dia em que perdemos o medo", da autoria de Diana Andringa O documentário, da autoria de Diana Andringa, é produzido para a RTP 2 por Wonder Maria Filmes e EGEAC. Apoiado em testemunhos e reflexões sobre o impacto do assassinato de Ribeiro Santos na sua geração e na sociedade, foi exibido no dia 12 de outubro de 2022. ESTÁ DISPONÍVEL EM RTP.PT

CONFERÊNCIA

Conferência Internacional

Cartaz da Conferência Inrternacional "Resistência Juvenil, ditaduras e políticas de memória - O assassinato de Ribeiro Santos em 12 de Outubro de 1972" Nos dias 10 e 11 de outubro de 2022, realiza-se no Auditório da Torre do Tombo, na Cidade Universitária, a "Conferência Internacional Resistência juvenil, ditaduras e políticas de memória - O assassinato de Ribeiro Santos em 12 de Outubro de 1972".

ARTIGOS EM DESTAQUE

Comunicado da FEML

Cabeçalho do comunicado da Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas (FEML) sobre o assassinato de Ribeiro Santos pela PIDE/DGS, perpetrado na véspera No dia seguinte ao assassinato de Ribeiro Santos, a Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas (FEML), em que militava, editou um comunicado com o título "Viva o Heróico Camarada Ribeiro Santos..."

Ordenados 5 inquéritos e processos

Assinatura do ministro do Interior, António Manuel Gonçalves Ferreira Rapazote A fúria desesperada do regime perante a reação popular ao assassinato de Ribeiro Santos ficou bem patente na repressão que se abateu sobre os protestos que surgiram de muitos lados. Sendo uma típica ditadura burocratizada, foi também através de papéis e processos que o regime se tentou defender e, ao mesmo tempo, atacar quem se lhe opunha.

Auto de corpo de delito

Despacho do diretor da PIDE/DGS mandando abrir processo de corpo de delito e nomeando como seu instrutot o inspetor-adjunto Matos Rodrigues Em 18 de outubro de 1972, a Polícia Judiciária remeteu à Direção-Geral de Segurança uma "Ocorrência" respeitante à morte de José António Leitão Ribeiro Santos, o relatório da respetiva autópsia e uma embalagem com um projéctil encontrado no seu cadáver. Na mesma data, Silva Pais, diretor-geral de Segurança, mandou abrir um auto de corpo de delito

Mentiras pidescas

O alvo das mentiras De mentira em mentira, o ministro do Interior, os dirigentes da PIDE/DGS e o próprio assassino tentaram encobrir o homicídio cometido contra José António Ribeiro Santos, apresentado com diferentes variantes mas como se tivesse sido "em legítima defesa, própria e alheia".

Foi morto um estudante

"Foi morto um estudante" - comunicado dos corpos gerentes da Secção Regional de Lisboa da Ordem dos Médicos Os corpos gerentes da Secção Regional de Lisboa da Ordem dos Médicos emitiram um corajoso comunicado intitulado "Foi morto um estudante". Aquele comunicado, que teve uma tiragem de 6.000 exemplares, foi distribuído por todos os médicos do país. O governo e a PIDE/DGS demitiram a direcção do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos e emitiram mandados de captura contra dois dos seus membros.

Revisão de processo

Ofício do V/Almirante Rosa Coutinho requisitando o processo DGS/TMT respeitante ao assassinato de Ribeiro Santos De como o processo organizado pela polícia política e transitado para tribunal militar, onde seria arquivado, esteve, e não esteve, para ser revisto na Comissão de Extinção da PIDE/DGS e LP. Uma revisão que, afinal, nunca existiu.

nesse tempo

Inundações na região de Lisboa
Os estudantes acorreram em apoio das populações após as inundações de 1967.
Manifestação contra a Guerra do Vietnam
No dia 21 de fevereiro de 1968, centenas de pessoas manifestaram-se em Lisboa contra a guerra do Vietnam e a guerra colonial.
Salazar cai da cadeira
Salazar caíu
Marcelo Caetano sucede a Salazar
Marcelo Caetano substitui Salazar como Presidente do Conselho de Ministros.
Crise de 69
O movimento estudantil ganha novo ímpeto em Coimbra e também em Lisboa
Absolvição no Plenário
Ribeiro Santos e outros sete estudantes foram absolvidos no Tribunal Plenário.
"Souvenir" da Faculdade de Direito
1972
Assim se chamava esta caricatura da chegada dos "gorilas" à Faculdade de Direito, para impôr a ordem ... da BURRICE.
Defesa de Ribeiro Santos
Em 13-03-1972, Ribeiro Santos apresenta a sua defesa no processo disciplinar que a FDL lhe moveu.
Remodelação governamental
Remodelação do governo de Caetano: entra Cotta Dias para as pastas da Economia e das Finanças, substituindo Dias Rosas.
À População!
Por todo o lado, foram lançadas tarjetas informando a população sobre quem era Ribeiro Santos e como fora assassinado pela PIDE/DGS.
Massacre de Wiriyamu
Mais um massacre do colonialismo, desta feita em Wiriyamu, Província de Tete, Moçambique.
"Informação" PIDE/DGS
Um agente da PIDE/DGS assina uma "informação" visando Ribeiro Santos e José Lamego, após o assassinato do primeiro e o ferimento do segundo, ambos às mãos da polícia política.
Amílcar Cabral assassinado em Conacri
Amílcar Cabral, Secretário-geral do PAIGC, foi assassinado em Conacri, República da Guiné.
Apoiemos os estudantes presos!
maio 1973
Comunicado "Apoiemos activamente os estudantes presos! Divulguemos os crimes da burguesia colonial-fascista", subscrito pelo movimento "Ousar Lutar Ousar Vencer".
Pides
Principais pides envolvidos no "processo" organizado pela polícia política e pelo Governo Militar de Lisboa/2.º Tribunal Militar Territorial de Lisboa
Rossio, 26 de abril de 1974
O exemplo de Ribeiro Santos foi uma bandeira logo a 26 de abril de 1974.